Os inocentes

Por: Chiachiri Filho

Se o politizado leitor, bem acomodado numa poltrona em frente a um aparelho de televisão, estivesse prestando atenção às sessões do Supremo Tribunal Federal em que são julgados os réus do “mensalão”, ficaria com a falsa impressão de que os acusados nada mais são do que vítimas de uma grande conspiração oposicionista. As argumentações dos advogados de defesa são claras e inequívocas: eles são inocentes. Não há crime. Não houve formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa ou passiva. Se houve algum, foi o do “caixa 2”, crime menor praticado por todos os partidos políticos brasileiros cuja pena, para os acusados de cometê-lo, já se encontra prescrita.

Não há quem não conheça aquele velho ditado: “ Quem tem padrinho não morre pagão. “

Tão conhecido e verdadeiro como o anterior é aquele que afirma:

“Quem tem bom advogado não vai para a cadeia.”

– E não vai mesmo. Um bom advogado é condição fundamental para a liberdade do indiciado.

Aprendi,nos bancos da faculdade de Direito que a grande missão do advogado é a constante busca da Justiça. Sabedor do crime praticado, não lhe cabe escondê- lo ou dissimulá-lo. Compete ao advogado defender o criminoso a fim de que ele receba a pena na exata proporção do delito praticado: nem mais, nem menos.O advogado não se presta a defender o crime e o criminoso. Ele defende o direito à Justiça o qual não pode ser negado nem mesmo ao criminoso confesso.

Assistindo o julgamento pelo STF, fiquei pensando comigo mesmo:

– Será que os brilhantes causídicos têm plena convicção da inocência de seus clientes?

É claro que não. Homens experientes e vividos, ex-ministros de Estado acostumados à vida pública com todas suas virtudes e vícios, os advogados não desconhecem a exata dimensão da culpa de seus representados.. Tentam escondê-la, procuram ignorá-la Pois, se tal não fizessem, dificilmente seriam bem sucedidos em suas atividades profissionais..

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