Vítima de si mesmo?

Por: Heloisa Pereira de Paula Reis

Durante muito tempo ele se sentiu imbatível, um verdadeiro super-homem. Era só dizer o quanto era bom, importante, feliz e o era. De verdade! Fez para si mesmo uma imagem surreal... Ele se conscientizava de que era o que queria ser e ponto. Mas acontece que... Só ele se via e se sentia assim. O todo poderoso que ninguém mais além dele conhecia. Sequer o espelho mostrava o homem que ele se pensava ser.

Foi criado para ser perfeito e fez disso sua meta de vida. Seria perfeito até que... Pobre criança que foi, pobre criança que estava sendo. Tinha se esquecido de crescer, de viver...

Era movido por sentimentos internos, impulsionado pelo sussurro das palavras não ditas. Colocou-se em um patamar inatingível, inalcançável... Pobre coitado, pobre vítima de si mesmo.

Mas acontece que o tempo mostrou sua vulnerabilidade. As portas de sua vida começaram a se fechar... Passou a pensar-se diferente. Não mais se reconhecia. Atrapalhou-se... Negligenciou-se de seus propósitos agora tão fora de propósito. O eu quero que, eu posso, foi substituído pelo não mais é possível... A anomia passou a fazer parte de sua vida.

Então... Fazer o que, para que a vida voltasse a se apresentar a ele da forma mais harmônica possível?

O fato de querer não mais o tornava forte o suficiente para conseguir ser o que queria. Esse sentimento lhe foi impingido e ele nada mais sabia fazer com a sua ausência. Já fazia parte de seu passado. Começou a perceber-se produto de expectativas vindas de palavras não ditas. Das palavras traiçoeiras...

E aí? Errou ou erraram por ele? E ele, permitiu ou nada lhe perguntaram? Teria que levar uma vida insossa? Isso não seria coerente com a vida que ele havia vivido, a que planejara para si mesmo.

Resolveu então dar uma trégua na ansiedade, sua atual companheira, para reportar-se ao passado e procurar entender o que a ele estava acontecendo. O que seria?

Um estado de embotamento dissimilou-se pelos dias ainda a serem vividos e que ele pensava poder ser a volta, o recomeçar tudo outra vez.

Como se possível fosse...

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