Menos Esparta, Mais Atenas

Por: Paulo Rubens Gimenes

Que me perdoem os meus grandes mestres de História- Dona Margarida, Dona Leninha e João Rocha -pela superficialidade na abordagem ao tema. Mas, segundo aprendi nos bancos escolares, a Grécia Antiga era formada por cidades-estados e dentre estas se destacavam Esparta e Atenas.

A primeira, Esparta, destacava-se pelo seu poderio bélico. Seus homens (naquela época as mulheres eram pouco mais do que os escravos, com papel de coadjuvante na sociedade) eram treinados para a batalha desde a mais tenra idade. Fortes, atléticos, hábeis no manuseio do escudo e da espada, os cidadãos espartanos eram a garantia da soberania de sua cidade-estado.

Já Atenas, sempre será lembrada pelo grande celeiro de cultura que foi. Grandes filósofos, teatrólogos, cientistas políticos, artistas, intelectuais de toda estirpe brotaram dos famosos debates em praça pública e bibliotecas desta “polis” grega.

De volta ao presente; um olhar mais apurado em nossa querida Franca, outrora chamada “Atenas da Mogiana”, leva-nos crer que estamos na versão moderna de Esparta. Corpos exageradamente musculosos (em ambos os sexos), várias academias de ginástica, inúmeras academias de lutas, concorridos torneios de vale-tudo (para ambos os sexos!) etc.

A impressão que temos é que estamos nos preparando para uma guerra, como se as guerras de hoje fossem resolvidas com punhos e espadas.

Por outro lado, Franca já não faz jus ao título de “Atenas da Mogiana”, que tempos atrás tanto orgulho trouxe à nossa população. Poucas atividades culturais, e dentre estas às vezes a escassez de público, raras bibliotecas, poucas livrarias. A qualidade dos “produtos culturais” atuais músicas, filmes, novelas, livros - nos dão a dimensão do nível dos consumidores da “cultura” de massa.

Essa não é uma característica exclusivamente francana, a crise cultural em detrimento do culto ao físico, às lutas é um fenômeno nacional, quem sabe mundial; e isso é preocupante.

Silenciosamente, trava-se hoje uma batalha entre “atenienses” e “espartanos” e os últimos, como era de se esperar quando o assunto é guerra, estão vencendo e isso é ruim, muito ruim.

É claro que devemos nos exercitar, manter o corpo saudável, praticar esportes (pancadaria não é esporte!), cuidar bem de nossa máquina de viver, mas nunca devemos nos esquecer de exercitar o espírito, movimentar o cérebro, tonificar a alma.

Pois se assim não o for; para resolver os conflitos da vida, e eles sempre vêm, o que você fará? Argumentará, defenderá com inteligência sua posição ou vai sair no braço, na pancada?

Menos Esparta, mais Atenas! Já.

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