O encontro com a tristeza

Por: Maria Luiza Salomão

Quando entro no túnel escuro, caminho inevitável, e avisto uma luz azulada ao final, sei que não vai ser fácil. Nunca é fácil iniciar essa travessia. A travessia do túnel, que pode variar em extensão e escuridão, é sempre nova, já que as sucessivas experiências se acumulam e também se transfiguram; despertam, a cada vez, um pressentimento de que a travessia, a de agora, vai valer a pena. E, como pego, não a pena, mas o teclado para escrever, eu me deixo levar por algum tipo de entrega. Como essa entrega gera uma espécie paradoxal de inseguro aprendizado, creio ser esse aprendizado aquilo que me garante, ao final do túnel, a esperança de alegria. Com esta alegria estranha prometida ao final eu, então, imagino que este novo tipo de tristeza merece, carece, ser enfrentado, lá na entrada do túnel negro azulado. E entro, e saio. Saio para a luz alegre do depois, o que me confere um pouco mais de humanidade. Humanidade, então, é sentir essa tristeza carreada, e ter coragem de sair dela. Coragem para mergulhar no visgo da Tristeza e, assim, me tornar um pouquinho mais capaz de entrar em outro túnel, mais adiante, em outro tempo, com outra pele, sabendo que dele vou sair, de mãos dadas com minha história ampliada. Amplio meu arco-íris de sensibilidades.

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