Diluída

Por: Janaina Leão

Caminhada solitária, saia longa, pés descalços atolados na lama que limpa o corpo sujo de civilização. A fumaça é mórbida , o pó é cinza de gente que morreu infeliz e nunca disse o que pensava. Poeira triste jogada em natureza linda. Quem sabe a verdade? Quem sabe o que é a verdade? As coisas estão aí para serem poetizadas. A vida vem em preto e branco como num livro para colorir. Cada um dá seu tom, cada um dá sua cor. Dissolvemos em ego tudo que não entendemos. O Tudo não existe para Todos. Comer, dormir, usar, comprar - uns rezam enquanto outros fodem litros de qualquer coisa que tire da realidade, para esquecer ou lembrar o que se é. Caminha intensa, pisa na relva espinhenta para rever a cor bonita do sangue. Feliz daquele que é seu próprio deus. Cura e segue a rima que a vida é breve, como fogos de artifício. Exagera, destrói e depois junta tudo que ninguém é obrigado a limpar a tua desordem. A casa é sua, o mundo é nosso, por isso, não atropele. Não seja rolo compressor. Pessoas têm vida , animais têm vida e tudo quer viver. Não mate. Mas se for morrer, seja pelo menos educado não reclame, aja. A vida urge, quem insiste sobrevive.

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