Receitas do tio Nino

Por: Débora Menegoti

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Então ele, esse senhor encantado que é o tio Nino, raizeiro muito sábio, das histórias mais bonitas, disse que a menina Zuína com muito custo se safou da pior cobra do mundo, quando morava por lá, com a ajuda do grilo Esperança. Dizem que naquele tempo a cobra tinha uma voz medonha!

Tio Nino também me contou que o segredo da vida daqueles que tinham força ‘demais da conta’, era um trago de vinho ou cachaça, curtido na sucupira e decido goela abaixo antes de todo amanhecer! Sarava segundo ele qualquer reumatismo e artrite! E assim tinha ele remédio pra tudo nas plantas que ele sabia como a palma de sua mão o que servia para quê...

Ainda me lembro que tinha uma receita, (a melhor de todas! Achava muita graça nesta, quando era ainda uma menina) que segundo ele, o chá da casca de uma árvore chamada ‘Barbatimão’ (Stryphnodendron), fazia o sujeito extremamente viril, deixava o homem muito mais ‘poderoso’! Enquanto podia por outro lado, com um simples banho genital do chá da casca dessa mesma árvore, fazer que toda mulher pudesse ser ‘fechada’ novamente! Juro! Diziam que era o elixir da virgindade! Foi o que ele disse! A planta é tão potente que cura hemorragias, infecções e até neutraliza veneno da picada da Surucucu! Meu tio Nino, raizeiro muito competente, já sabia disso tudo! Tudo isso ele me contava, e disse sobre tudo isso antes mesmo das pesquisas realizadas na Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ate hoje imagino, quase sentindo o sabor dos frutos que ele me fazia imaginar possíveis de nascer nas árvores que plantávamos juntos, a de chocolate seria a mais cobiçada!

E contava assim firme mas sempre calmo, devagarzinho, baixinho, me chamando de dedéinha, débinha... Andando com suas botinas gastas, com sua camisa bem alinhada cobrindo sua magreza...

E era tudo isso mais uma dobrinha do céu para mim. Camada feita de sol, carinho, Daquela voz arrastadinha, tão serena, de meu tio tão amado, tão sabido!

Obrigada por todo universo de fantasia, amor e hunildade que semeou em meu peito!

Durma bem, durma em paz...

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