A abóbora que não se transforma mais

Por: Nathan Oliveira

Eu já nem sei quantas mentiras
Ouvi dos ratos que a rodeiam
Talvez deva ser pelo fato dos lábios dela
Serem tão desejados quanto as escamas de um místico dragão

As abóboras nem se transformam mais em carruagens
E eu ainda fico imaginando a voz do espelho
Há tempos que nem vejo mais as velhas bruxas
Que a invejam da casca até o miolo

Os vermes entoam canções silenciosas
Esperando até que você deite no gramado e vire seu alimento
Eles a desejam como o mesmo que vos fala
Mas eu não teria coragem de dividi-la, porém disputá-la

Não que sua cabeça seja um prêmio
Como daquele prisioneiro que decorou o nome de todas as suas armas
Mas o prazer de sua presença pode ser comparado aos ventos do norte
Que movem as pesadas pás dos moinhos dos campos, preguiçosas por demais
Eu só queria lhe dizer que não me importa muito quantos forem
Dez, quinze, cinquenta mil soldados
Eu vou derrubá-los, não para humilhá-los
Mas para te provar que meu amor é tão real quanto os meus sonhos alados

Muitos tentam me desencorajar, mas nada disso há de me parar
Porque se você der ouvidos aos zumbidos dos fracos
Vai ser tão insignificante quanto o começo da primeira estrofe
Sendo citado como simples e mentiroso rato.’
 

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