De mansinho

Por: Heloisa Pereira de Paula Reis

Aqui está você novamente...

Vem chegando de mansinho, tão de mansinho que quase não a percebo... Não fosse o “cheiro” que a denuncia... E que permanece no ambiente e nele permanece você... Marca sua presença. É o cheiro do medo, do ousar ser você mesma, do receio de jogar tudo para o alto e viver a vida que você quer. É o medo de se encontrar e ver o que não quer que seja visto. Quantas vezes você veio a mim, querendo e não conseguindo falar, faltando coragem para tal... Tentando discernir o certo do errado... Pra quê? Esqueça tudo... Contrarie as regras ou finja que elas não mais existem. E daí, se o caminho que você trilhar bate de frente com tudo? Ouse quebrar paradigmas... Seja você mesma... Não aceite as coisas como elas se apresentam... Lute pelo que você quer. Ajude sua alma a escolher entre as regras e os desejos. Conflitos inúteis não levam a nada. Enquanto procura uma resposta plausível para suas preocupações, devaneios, sonhos, desejos, fantasias, opte pelo silêncio. Ele é e sempre será imprescindível. Mas depois fale, fale o
que quiser, a quem você desejar falar. Enquanto vou pensando, você me olha a pedir colo, atenção, oportunidade de compartilhar tudo, tudo...E pensando/penso se agora você vai deixar sua alma agir.Será que você vai se permitir realizar seus desejos?

Através das coincidências do dia a dia, percebemos o Universo metaforicamente falando, enviando sinais... Esteja atenta a eles... E tente sair da solidão a que você mesma se condenou... Persistência nociva, não é? Administre essa fera que a habita, solte-a, que talvez ela, em sendo livre, a leve por caminhos tão desejados/esperados por você. Deixe que ela saia na frente e que impetuosamente vá rompendo barreiras... Não permita que seus fantasmas tentem emergir com força total. Que eles saiam de mansinho... Sinta que a necessidade do prazer a habita... Permita-se desejar... Trilhe seu caminho, com quem você quiser, mesmo que seja só em pensamentos. Talvez valha a pena. Seja protagonista de seu destino. Não mais procure ocultar o que é sentido por você, sabido por muitos, aceito por poucos... Admita que você ama e que necessita ser amada por aquele que deseja, que quer, que necessita como do ar que respira...Procure ser receptiva, a tudo que se apresenta a você, quem sabe você resolva olhar para o outro lado do rio...Abra seu coração...Você que nunca quis admitir o amor enorme que habita seu peito, que a faz um dia ser feliz e em outro dia chorar até que sequem suas lágrimas.Não tenha medo, seja corajosa, esqueça seus medos profundos... Literalmente. Expresse-se de modo a clarear a situação e não obscurecê-la. Respostas indevidamente respondidas não são entendidas e levam a angústia à alma, à tristeza maior... Perguntas não respondidas atormentam o dia e tornam a noite tristonha. Pergunte. Insista para que suas perguntas sejam respondidas. Mesmo que seja para deixar sua alma sem calma.

Você me olha de um jeito tristonho, amedrontado... Vamos, coragem... Enfrente os acontecimentos, seja grande, não demonstre para ninguém “como vai você...” Não permita que opiniões infundadas a atormentem. Risco há de se tornarem parte de você, de maneira tal que ficará difícil saber se a opinião é sua ou do outro. Tola a alma que não ouve... Mais tola ainda a que se deixa levar sem questionamentos. Não dissemine nada de seu, compartilhando com ouvidos e não com corações. Saiba que o aprender leva ao saber bem ouvir. Feliz do que ouve com o coração... Cuide-se para não ouvir palavras mal ditas, que ferem, machucam e só levam à triste tristeza de entristecer.

Vem, estou aqui... De braços abertos esperando por você. Aconchegue-se. Aninhe-se em mim. Sinta o pulsar de um coração que ama incondicionalmente.

Mas você quer/não quer, não é? “... foges de mim...”, imagem refletida no espelho da vida, tão fácil/difícil de ser vivida. É só escolher o caminho que a você se apresenta. Com astúcia ou com sabedoria.

E então... Como/quando, você vai resolver esse impasse que a atormenta?

Melhor sair de mansinho... Bem de mansinho... Como se nunca tivesse vindo...

Ou não?
 

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