Como orquídea docemente amorosa

Por: Eny Miranda

Em nossa reunião deste setembro, na Academia Francana de Letras, tive a alegria de receber, das mãos da amiga Marlene Becker, o livro Drummond: o sorriso que me sorri, lançado no site Clube de Autores e nele disponível para aquisição.

Trata-se de um ensaio alicerçado sobre poesia e em poesia erguido, porque na voz sensível de uma também poeta: Marlene Becker, e belamente prefaciado por uma ensaísta: Maria Luiza Salomão. Nele, com a mais pura sensibilidade amorosa, Marlene desvela em Carlos Drummond de Andrade, e com ele comunga, sorrisos que, afinal, a envolvem e com ela e para ela sorriem.Com o coração a serviço dos olhos e a alma/chave a serviço das mãos, ela penetra o reino do humano, contempla os mil semblantes ocultos sob a face do homem calado: cada lágrima, cada revolta ou desalento, cada alegria ou enternecimento; cada pedra, cada pétala -pérolas guardadas entre linhas, ecos de cada passada, de cada impressão colhida (e deixada) nos caminhos palmilhados pelo Poeta - e neles vai desvelando os diferentes sorrisos desse homem, para muitos, taciturno. Não os arcos de bordas elevadas, desenhados no rosto - expressões de pele. Em garimpo minucioso, Marlene persegue sorrisos acima de músculos e dentes, acima de letras e linhas; busca os círculos de margens veladas, insinuados no espírito - expressões de alma.

Em intimidade mais do que visceral, porque anímica, revisita a Metafísica do Corpo na poética de Drummond, que se entremostra nas imagens, e sua alma, além da simples carne e simples unhas, além do simples verso e simples sintaxe, em cada minúsculo e incomensurável momento de silêncio: o ser, na transparência do invólucro perfeito.

Para a Autora, o que se vai evidenciando nessa viagem-busca é, pois, - mais do que o ser triste, orgulhoso: de ferro; mais do que o hábito de sofrer e a vontade de amar - a capacidade de ternura, a cristalina essência do Homem/Poeta/Drummond, e seus sorrisos, revelados neste ensaio em que Marlene também se descobre revelada, desabrochada, como orquídea “docemente amorosa”.
 

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