Até que enfim

Por: Farisa Moherdaui

Com certeza, muitas pessoas através do caderno “Nossas Letras” deste jornal, conheceu a história melancólica do meu casaco marrom, aquele de lã, gola em bico, bolsos largos, botões brancos e muito grandes, todo salpicadinho de bolinhas formadas pelo tempo. O casco que fora de minha mãe, depois da minha irmã e finalmente meu. Com mais de quarenta anos, tão bonito, conservado, mas que para minha tristeza, sumiu. Como não sei.

Tantas noites sem dormir, tantos dias de procura em lugares diferentes como lojas, restaurantes, consultórios, açougues, varejões e até em cidades vizinhas.

Ali em Batatais, naquela igreja tão linda, até o padre Ronaldo se empenhou na procura do meu casaco. Cheguei a pensar que estivesse com a prima Sofia, ela que sempre cobiçou o meu casaco marrom: Mesmo em viagens que fiz, inclusive no Navio, procurei em algumas cabines e com a ajuda do comandante que vasculhou até os seus aposentos, debaixo da sua cama, do seu colchão, gavetas e nada. Um gentleman o comandante!

Mas graças ao empenho, rezas, promessas e lágrimas derramadas o milagre aconteceu e dia desses o meu casaco marrom foi encontrado numa velha Blazer, dizem que lá pelos lados das Minas Gerais. Acho mesmo que a Blazer possa ser aquela que a sobrinha Cristina vendeu há muito tempo e o meu casaco ficou alojado bem nos fundos de um mineiro, ou melhor, nos fundos do porta malas da carcomida Blazer que andou, rodou até chegar aqui. Como veio parar nas minhas mãos, também não sei.

Agora, aqui eu que deveria estar muito feliz estou triste, decepcionada, pois o meu casaco marrom não está com era antes; encolhido, não me serve mais e até o suave cheirinho de naftalina desapareceu. Que pena!

Acho que sim eu vou presentear a prima Sofia com o meu casaco marrom, de lã, gola em bico, bolsos grandes, largos, botões enormes e brancos e Sofia tenho certeza, vai a-do-rar o presente.

Afinal, fica tudo em família né?
 

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