Álbum de família

Por: Lúcia Helena Maniglia Brigagão

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Há um mito de que todos, todos, os casamentos antigamente eram realizados "por amor". Eram freqüentes as comemorações das bodas: desde as de Papel, o mais frágil dos elementos da natureza, até as de Diamante, o mais forte deles, o mais duradouro, o que mais aguenta os trancos, sem riscar, quebrar ou apresentar resquícios de maus tratos. Ouso dizer que antigamente os casamentos eram feitos para durar, até que a morte separasse os noivos. De lá para cá, muitas uniões mostram-se, ainda, duradouras, mesmo que a festa de setenta e cinco anos tenha se tornado uma raridade. Muitos casamentos foram feitos por interesses econômicos das famílias, por medo da solteirice, para ajeitar uma situação irreversível. Mas, inegavelmente, há sempre uma história bonita permeando ou justificando os motivos pelos quais muitos casais se casaram, permaneceram casados e felizes por toda uma vida.

Essa foto é de março de 1933. A noiva é Ciulina Constantin Neves, nascida em 1918; o noivo, Antônio Corrêa Neves, de 1907 e o local do casamento, Engenheiro Lisboa, perto de Uberaba. A neta conta que ele, recém formado cirurgião-dentista - da primeira turma de Ribeirão Preto - foi chamado para auxiliar o prático que atendia os habitantes daquela região. Viu Ciulina e se apaixonou. Pediu-a em casamento, foi aceito e casaram-se pouco tempo depois. Ela diz que a avó pensava que iria para a Primeira Comunhão ou Crisma, que a família era católica. Aí vieram: Zélia, Maria Helena, Maria Aparecida, Terezinha Maria, Rita Maria, Maria da Consolação, Antônio Corrêa Neves Filho, José Joaquim, e Jorge Luiz. Que o amor veio depois do casamento, é uma possibilidade. Que permaneceu além da morte deles, é um fato.

(Lúcia H. M. Brigagão) 

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