Um cargo espinhoso

Por: Chiachiri Filho

Não pensem, os atuais candidatos, que o cargo de Prefeito é uma simples sinecura. Nada disso: o cargo de Prefeito é espinhoso, áspero, complexo, angustiante.

Passada a euforia das eleições, logo após a posse , começam as cobranças. E, durante os 4 anos que se sucedem, elas tornam-se mais freqüentes, mais insistentes, mais impossíveis. É o asfalto pra um bairro, lâmpadas para os postes, creches para as crianças, praças públicas e áreas de lazer. São empregos para os correligionários, secretarias e empresas públicas para os partidos de sustentação. Quando o atendimento das revindicações depende da atuação direta do Chefe do Poder Executivo Municipal, a solução torna-se mais viável. Há questões que fogem da esfera municipal e requerem uma interferência dos Governos Federal e Estadual. É o caso da Saúde. Se o Governo da União não destinar mais verbas para o setor, o problema continuará agravando-se cada vez mais. É também o caso da Segurança Pública. Se o Governo Estadual não aumentar os efetivos da Polícia, a bandidagem logrará sucesso em suas atividades criminosas. A Guarda Municipal pouca coisa poderá fazer, pois suas atribuições constitucionais não vão além da pro
teção dos prédios e logradouros públicos municipais.

As carências são muitas, os recursos escassos e as esferas superiores de governo resolveram empurrar para o município, sem as verbas indispensáveis, muitas tarefas e serviços.

Os candidatos propõem-se a atacar e resolver os grandes problemas da cidade. Estabelecem metas, elaboram planos e programas magníficos. A maior parte inviabiliza-se pela falta de dinheiro. Por isso, depois vêm a frustração, o desânimo, a impotência dos líderes e do povo.

Sem dúvida, o cargo de Prefeito é muito espinhoso. É preciso ter “nervos de aço” para exercê-lo com algum sucesso.

Apesar de tudo isso, a luta é renhida para assumir a Prefeitura. Uns querem-na para poderem mandar, outros para se enriquecerem e outros para, simplesmente, aparecerem. Porém, há ainda aqueles que têm idealismo e espírito público. Desejam, sinceramente, uma cidade melhor e um povo mais feliz. Estes são os que mais sofrem durante a gestão. Envelhecem, angustiam-se, entediam-se, e, desanimados, acabam até perdendo o vigor de seu espírito público.
 

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