Momento de reflexão

Por: Eny Miranda

Dia após dia, hora após hora, a todo instante, em algum lugar inacessível do tempo e do espaço, milagres se engendram, o que, para nós, é ainda um grande mistério. Há poucos dias, uma amiga querida lembrava-me dessa sibilina gestação, que transcorre, muitas vezes, em nós mesmos; no seio germinante das emoções, no ventre da alma. E o fruto do inacessível só nos alcança (ou nós o alcançamos) quando, de repente, toma forma reconhecível e, ao mesmo tempo, inusitada; subitamente se abre a nova e enigmática luz; desvela-se mantendo-se, embora, mistério ainda, espanto aos nossos olhos.

Isso ocorre, sobretudo, no campo da Estética, conquanto possa acontecer também no terreno da Ética.O poeta Ferreira Goulart, em recente entrevista concedida à revista Veja, observou: “A poesia [...] nasce do espanto. [...]. De vez em quando o não explicado se revela, e é isso que faz nascer a poesia”.

Estamos agora em tempo de revelações, em tempo de materialização do impalpável, de alcance do aparentemente inalcançável - motivo de grato espanto, para alguns olhos, e de indiferença, para outros. Estamos em tempo de exuberância verde e amarela, de vigorosas manifestações éticas e estéticas, no coração deste Brasil de muitos matizes e no seio de nossa Franca de muitas pétalas.

Aqui, no centro da Avenida Major Nicácio, as sibipirunas enfloradas combinam, metafóricas, a imponência do verde-e-amarelo plantado em linha reta. Entre tantas outras árvores com suas várias nuanças, espalhadas pela cidade, aconteceu de ser este o momento das sibipirunas, dessas - desde a raiz - brasileiras árvores explodirem na beleza e no vigor de seus tons nativos, guiando muitos olhos cansados, saciando muitas almas sedentas; corporificando o espanto; trazendo à luz a poesia da retidão, em especial momento de brasilidade.

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