Devaneios eleitorais

Por: Chiachiri Filho

190130

Nas sabatinas, nos debates, nos programas de rádio e televisão, os pretendentes à Câmara ou à Prefeitura apresentaram soluções para todos os problemas crônicos e momentâneos da cidade. Problemas como as cirurgias eletivas, a falta de vaga nas creches, o preço da passagem e a superlotação dos ônibus, o recapeamento asfáltico, a falta de médicos, a insegurança pública e tantos outros mais, os quais são plenamente resolvidos pelos criativos e engenhosos candidatos à chefia do Poder Executivo.

Deixando de lado a incoerência e inconsistência dos discursos, as constantes agressões ao vernáculo, dá gosto ouvirmos os programas, os projetos, os planos dos políticos. Eles nos trazem otimismo, esperanças, certezas de um amanhã mais feliz. Fico tão entusiasmado com os referidos planos de governo que, no meu entender, as eleições deveriam ser anuais. Caso os projetos propostos não fossem cumpridos ( pelo menos uns 30% ) os seus autores deveriam ser simbolicamente lançados do viaduto da General Teles para as águas do lendário córrego dos Bagres a fim de serem reciclados, caso subsistissem, pouco mais abaixo.

Todos nós sabemos que o Poder Público é, antes de tudo, um arrecadador de riquezas. Sem impostos, taxas, emolumentos, tarifas e outras coisas do gênero, nenhuma obra pode ser feita e nenhum novo serviço criado. O prezado leitor ouviu de algum candidato a intenção de aumentar tributos, dispensar funcionários, cortar despesas? Alguém ouviu falar sobre enxugamento da máquna, eficiência administrativa, racionalização dos atos e ações do Poder Público? É claro que não! Não ouviu e nunca ouvirá. O povo gosta de quimeras, fantasias, pílulas douradas e restauradoras. O povo gosta do circo e de suas mágicas. De acordo com um atuante líder político ( atualmente muito aplaudido e considerado pelas massas ), o povo tem merda na cabeça. Será? Pode ser que sim ! Porém, aqui comigo, acho que o povo tem em sua cabeça muita ingenuidade, carências , sonhos e falta de memória.

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