O kamikaze e seu pássaro de ferro

Por: Nathan Oliveira

As juntas dos meus dedos
Gelam tanto quanto o mais frio dos mares
Segurando esse manche solitário
Voando alto nos estrangeiros ares

Penso em sorrisos que não eram para me agradar
E em pessoas que nunca me dei bem
Sei que meu avião foi feito pra matar
Mas há coisas que prefiro apagar, também

Vou cortando os ares como se não houvesse horizonte
Avistando meu alvo que ali estava, silencioso
O ronco do motor do avião era meio surdo aos meus ouvidos
Mas todo aquele metal combinado fora criado por um ser rancoroso

As nuvens parecem me pedir para que dê meia volta e suma
Mas o sangue no meu globo ocular me deixa louco
Quero acabar com meu sofrimento logo, me chocando contra o inimigo
Que hei de exterminar em alguns segundos, bem poucos

Milhões de questões formadas a cada milésimo de segundo
Fazem o frio correr por todo o meu corpo cansado
Perguntas que não teriam mais sentido de serem feitas
Pois logo, meus neurônios teriam o mesmo fim de todo aquele esqueleto metálico

Penso em Deus e em todos os pecados que sempre me foram apontados
Será mesmo que, depois da destruição, algo ainda ia existir?
Se fosse algo que eu tivesse uma resposta concreta
Provavelmente não ia me matar ao colidir

Acendo um cigarro, trêmulo
Vendo aquele prédio frio me julgar com os olhos que não tem
A fumaça sai de minha boca com gosto de veneno
Que mataria qualquer esperança de um anjo no além

Tiro o meu capacete neste último segundo
E deixo um recado para todos aqueles que são iludidos pelo mundo:
Uma explosão pode causar mortes, destruição e caos
Mas a falta de compreensão humana vai lhe fazer um corte muito mais profundo

Sei que não dá mais tempo de fazer nada
Nem mesmo dizer algo que seja útil para alguns
Se querem que eu diga o sentido da vida, eu o tenho para lhes dizer
O sentindo da vida é.. (boom).

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