Mel em nossas vidas

Por: Eny Miranda

Quando aquele amigo anunciou “uma semana de Mel em nossas vidas”, rasguei o casulo e me fiz borboleta. Fui ao encontro dos néctares que repletam cálices e corolas aos primeiros hálitos da primavera. Deixei-me flutuar por aí, asas abertas em muitas cores tocando, leves, as rendas tintas de vermelho, fúcsia, rosa pálido... deitadas sobre as buganvílias; logrei subir ao topo de luminosos flamboyants, abarrotados de laranjas e corais; passei a me banhar de céu nos jacarandás que azulam suas copas sobre o asfalto e, com as sibipirunas, cantei loas ao verde-amarelo.

É que havia uma semana de Melissa nascida: pétala entre pétalas, doce floração de primavera. “Uma semana de Mel em nossas vidas!” - como disse orgulhoso o seu avô e nosso querido amigo. Uma semana de Mel adoçando nossos corações e almas.

Agora, já se vão duas semanas, desde a sua chegada, desde a renovação e, ao mesmo tempo, a perpetuação de uma espécie sagrada: a dos bons, sólidos, mineiros amigos sem fronteiras. Pois que Melzinha -flor de brasileira primavera, gema puríssima das Gerais, raiz fincada em São João Del Rei e São Tiago -se fez brotar do lado norte das Américas, expandindo nossos territórios e inaugurando por ali novas estações.

A ela, elevem-se em brinde mil outras primaveras, como a de Drummond: “ecos, músicas de pássaros ou de câmara, sussurros, matinadas, sinos”. A ela, floradas de buganvílias, flamboyants, jacarandás; “lembrança de água a despencar-se de pedras limosas, entre borboletas frenéticas e azuis, tinhorões nativos, seixos reluzentes”... A ela, os braços do mundo abertos em cores, aromas, doçuras e texturas de bosques e jardins inteiros; tesouros que primaveras renovadas e amizades perpetuadas generosamente nos oferecem.

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