O pouso dos Bagres

Por: Chiachiri Filho

No final de novembro, dia 28, comemora-se mais um aniversário da emancipação política da Vila Franca do Imperador. Antecipando-nos às comemorações, vamos publicar algumas crônicas sobre a História de nossa cidade.

No século XVIII, os pousos constituíam-se na manifestação do povoamento que se fazia ao longo da Estrada dos Goiases. Eram pequeninos núcleos populacionais que serviam de ponto de parada e suporte aos viandantes que transitavam pela estrada em busca das minas de Goiás. Do rio Pardo ao rio Grande, podiam-se contar os seguintes pousos:

Rio Pardo,Cubatão, Lages, Araraquara, Batatais, Paciência, Pouso Alegre, Sapucaí, Bagres, Posse, Ressaca, Monjolinho, Ribeirão, Calção do Couro, Rio das Pedras, Rocinha e, finalmente, Rio Grande.,

No pouso dos Bagres, morava o Capitão Manuel de Almeida, natural de Lisboa. Era o Comandante do Belo Sertão da Estrada dos Goiases. Contava, em 1803, com 81 anos de idade e era casado com Ana Antunes de Almeida, de 61 anos. Em sua companhia morava o filho Antônio. O casal possuía mais dois filhos: José e Vicente Antunes de Almeida. Sua família compunha-se ainda de 5 escravos e 6 escravas.

Além de Capitão do Distrito, Manuel de Almeida administrava, isto é, cobrava os direitos de passagem pelo rio Sapucaí em nome da Real Fazenda.

No referido ano, ele havia colhido 300 alqueires de milho e vendido 50. Colhera também 20 alqueires de feijão e vendera 6. Havia marcado 3 gados vacuns.

Não se deve confundir o ribeirão dos Bagres com o atual córrego dos Bagres. O atual córrego dos Bagres passou por denominações diferentes ao longo do tempo. Teve o nome de Itambé e o de Catocos.

O antigo ribeirão dos Bagres (cuja denominação permaneceu a mesma durante a passagem dos anos) deságua no rio Sapucaí e é nessa região que se localizava o pouso de Manuel de Almeida.

Foram os filhos de Manuel de Almeida, o Vicente e o Antônio, que fizeram a doação, em dezembro de 1805, do patrimônio para criação da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Franca, Sertão do Rio Pardo.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras