Sobre pedras e pétalas

Por: Paulo Rubens Gimenes

Certa manhã o homem deparou-se com uma enorme pedra em seu jardim. Negra, feia, a pedra postava-se “drumondianamente” em seu caminho.

Desesperado, tentou retirá-la, atracou-se a ela, usou toda sua força, seus dedos sangraram, marcaram a pedra, mas esta nem sequer se mexeu.

Vieram vizinhos, amigos, familiares em auxílio; juntos também tentaram, arranharam, marcaram a pedra com seu sangue e mais uma vez ela não se moveu.

Chamaram então a associação responsável pela remoção de pedras. Ela chegou com seus profissionais, suas máquinas, técnicas e rezas e ... nada. Embora também fizessem sulcos e feridas na pedra; esta, teimosamente, dolorosamente, plantava-se no caminho do homem.

Passaram-se sóis, passaram-se luas; passaram-se chuvas, passaram-se dias e, aos poucos, divinamente, flores foram brotando nos sulcos abertos por todos aqueles que tentaram em vão retirar a pedra.

Hoje, toda florida, ela continua lá no caminho do homem, e ele a cada dia cumpre sua nova missão; enxergar mais flores do que pedra.

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