A cidade de Franca

Por: Luís Castro Melo

I
Oh! Franca das três colinas,
Ontem mesmo, inda menina,
Te vi de sonhos embalada;
Sem imaginar, no entanto,
Que viesse a crescer tanto,
Esta terra tão amada.

II
Oh! Franca do “Champagnat”,
Eu mesmo estive lá,
A suspirar de amor;
Pois o “ Lourdes” confrontava,
Num perfume que exalava,
Denunciando a flor.

III
Vi! Franca do Tõe- Pulinho
O beija-poste mansinho,
De paletó lambe-chão;
Vi tua alegria abalada,
Quando no céu fez morada:
Geraldo, o “Pelotão”.

IV
Vi Franca da mãe Clemência,
Doceira por excelência,
A cozinheira sem igual;
Vi Maria Capotinha,
Cuspir outra fumacinha,
Do seu cachimbo tribal.

V
Oh! Franca dos Combatentes,
Nas fileiras dos valentes,
Fizeram a cobra fumar;
Vi Jerônimo Escravo,
Ter de manso, ter de bravo,
Muitos “causos” pra contar.

VI
Oh! Franca das cavalhadas,
Das corridas disputadas,
Eu vi subir a Veterana;
Teu basquete é o primeiro,
Aqui dentro e no estrangeiro,
Correu fama além aduana.

VII
Vi Franca das serenatas,
Da careta d’ água nata,
Jorrando do teu lençol;
E a Virgem da Conceição,
Tem de cima mais visão,
Do teu relógio do sol.

VIII
Vi Franca dos diamantes,
Reluzentes e excitantes,
Da tua Praça Barão;
O mundo te reconhece,
E de paladar agradece,
Teu café de exportação;

IX
Oh! Franca do imperador,
Tens o futuro promissor,
Dia-a-dia pespontado;
Vão calçados, vem cifrão,
Fruto divino da mão,
Do sapateiro abnegado.

X
Oh! Franca do capim mimoso,
Sou um mineiro orgulhoso,
És minha terra por adoção;
Não me sinto um invasor,
Pois me recebestes com amor,
Quando pisei o teu chão.

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