Universos descerrados

Por: Eny Miranda

Luís Castro MeloNo dia dez deste mês de novembro, em mais um projeto da Ribeirão Gráfica e Editora, coordenado por Fernanda Oliveira Silva, sete títulos foram trazidos à luz em Franca. Com o apoio cultural do SENAI, a Noite do Escritor Francano ofereceu aos adeptos da leitura os mais recentes frutos de nossos campos de cultivo.

A Poesia, em imagens, palavras, música e movimentos, abriu a noite.

Logo à entrada,suspensos por fios invisíveis, milagres do Cotidiano, capturados pelo olhar sensível do fotógrafo Gustavo Andrade, pairavam no ar, cristalizados. Atravessando tempo e espaço, José de Alencar, Castro Alves, Gonçalves Dias, Luiz Gonzaga e Ary Barroso se fizeram presentes, na voz de alunos do Liceu de Ensino e dos professores Luiz Cruz de Oliveira e Marco Antônio Soares, e nas expressões corporais, nas evoluções bailarinas de Lucineia de Paula e Carlos Cruz.

Ali, manifestada, a alma humana, essa entidade misteriosa, intangível, parte e memória de todas as eras, de todos os tempos e gentes; núcleo divino que nos habita e nos faz, desde a origem dos átomos e das moléculas, um só - e inúmero, infinito - corpo imaterial, ubíquo, atemporal, abrigado neste minúsculo grão de poeira universal, que é o homem.E em que campos desse nosso universo crescem as árvores, vivem os pássaros, as flores, as borboletas? Em que ninho se abriga o primeiro ovo - externo útero, saído quentinho do ventre materno, pronto a conceber, alimentar e dar à luz vida nova? De que fonte anímica emana o amor? E o ódio e a inveja, em que obscuras grutas são destilados? Em que leito se estende o mar, desde a origem, com seus mistérios e sua grandeza de sal, água e espuma? E os pequeninos arroios e seus seixos, por onde caminham? O céu, esta plena imensidão vazia, onde lá se abre? Em que ponto luminoso da alma se engendram as notas, os versos, as cores e as formas que amoldarão poemas audíveis, visíveis, sensíveis e tangíveis aos nossos corpóreos sentidos?

Pois ali, naquela noite, tais espaços, do minúsculo ao grandioso, se puseram à mostra, abertos em ondas sonoras ou impressos em folhas. Com a bênção da Palavra, os pássaros, as flores e as borboletas; o ódio e o amor; o céu e o mar - à feição da alma de cada autor - estavam à disposição de nossos olhos e almas, em situação de reencontro. Nos títulos, sete manifestações anímicas, sete universos descerrados: Meu mundo! Seu mundo? Será que tem jeito?, de Ângelo Pressoto Netto; Centenário da Veterana Feiticeira, de Clésio Dante da Silveira; Nós, de Lucas Henrique de Andrade; Sussuarões, de Luiz Cruz de Oliveira, em edição comemorativa de trinta anos de lançamento; Mar em canto, de Regina Helena Bastianini; Na essência da vida: gestos e palavras, de Sebastião Fábio Girolamo, e Crônicas mínimas, de Zelita Verzola.

Milagres da Palavra.

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