Fim de dia

Por: Ronaldo Silva

Casebres caiados
banhados pela luz morredoura
de um sol que se dilui no horizonte.

Crianças correndo
pela rua poeirenta
despreocupadas da vida.

Pés descalços,
cabelos desgrenhados,
despedidas dos dentes-de-leite.

Umas poucas peças de roupa
balançam molemente
num varal frouxo, ao fundo do quintal.

Nas cozinhas, as mães catam o feijão
pensando no custo de vida
e na novela das nove.

Um som distante, quase inaudível,
anuncia fim de expediente
na fábrica distante.

Um suarento vendedor de picolés
passa pela vila com seu carrinho,
acionando a buzina rouca e melancólica.

Em pouco tempo um exército de pais
surge lá no início da rua,
carregando cansaço e esperanças.

Num instante pais, mães e crianças
estão em torno à mesa
com suas histórias do dia.

Um jantarzinho singelo
aquece os estômagos e os corações.
Em seguida um cafezinho, a guisa de sobremesa.

Quando todos apóiam as cabeças,
enfim, sobre seus travesseiros,
ninguém tem dúvidas do que seja a felicidade.

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras