Vanessa

Por: Luiz Cruz de Oliveira

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A escritora Vanessa Maranha me causou impressões muito fortes quando a conheci, há quase vinte anos.

Era uma mulher muito bonita e o tempo, indiscutivelmente parcial, tem-se revelado por demais benevolente com ela. Quando de nossos primeiros contatos, ela realizava trabalhos esporádicos para o jornal Comércio da Franca. Entrevistou-me algumas vezes, e invejei sua capacidade de, conversando algum tempo com o entrevistado, reproduzir, fielmente, em seu texto, toda a essência do conteúdo ouvido.

Além da sua beleza, da sua capacidade profissional, encantava-me ainda o potencial que eu enxergava na mulher, relativamente à atividade ficcional. Vanessa publicava, já naquele tempo, contos e crônicas que se destacavam pela sensibilidade na captação da alma humana e pelo estilo peculiar.

Apaixonado também pela literatura francana, afoito como sempre, mas de coração, não deixei de dar palpite sobre o que ela escrevia. Via o seu dom, acreditava que ela produziria ótima literatura, critiquei, muitas vezes, e talvez com demasiada severidade, suas buscas formais, acusando-a de tornar seu texto hermético.

Eu me esquecia então de que a busca por um estilo, inclusive sua face formal, é inerente ao ofício do artista, é estrada que cada autor terá de percorrer, sob pena de absoluto fracasso.

Lembro-me de que estive em sua residência, em companhia de Caio Porfírio Carneiro, então secretário da União Brasileira de Escritores. O contista teceu comentários sobre originais de livro seu. Entusiasmados ambos com o valor dos escritos, nem fomos muito sensíveis com sua filhinha de meses que chorava no colo desajeitado do pai.

Felizmente para a literatura, representei estorvo menor, incapaz de desviar a escritora de evolução constante e de suas vitórias no campo literário. Vanessa continuou produzindo literatura cada vez de melhor qualidade atestada nos prêmios por ela conquistados e nas referências elogiosas que tem colhido cada vez em maior profusão.

Depois dos livros Coisas da vida (1995) e Cadernos vermelhos (2003), a minha amada Vanessa Maranha me deixa extremamente feliz, ao lançar, esta semana, aqui na livraria Pé da Letra, o livro de contos Oitocentos e Sete Dias.

Sei que vou levar algum tempo para lê-lo, graças aos limites dos meus olhos, mas já o aguardo de coração aberto e cheio da fé dos que conhecem as boas fontes.

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