Noite de Ano Novo

Por: Marina Garcia Garcia

Comemorações, confraternizações e visitas esperadas ou inesperadas se fizeram registrar por toda parte no último dia do ano que passou. Por toda parte houve excessos. Gastamos mais que recebemos, comemos mais que devíamos, bebemos um tanto mais... Como se toda felicidade viesse embrulhada em cartão de crédito ou em dinheiro extra do décimo terceiro.

E nesse contexto, coisas divertidas aconteceram. Desta vez foi com ela. Uma loira espetaculosa, vestida com capricho para as comemorações de Ano Novo. Passou por alguns lugares para cumprimentar os amigos e parentes e chegou já bem calibrada na casa dos tios. Encontrou os primos, conhecidos que não via há muito tempo. E, claro, uma birita aqui, um uísque ou batida diferente ali. O som dava o tom e todos entraram na dança frenética. Ela também, e como...

E escorando na parede chegou até o interfone. Sem controle, o danado caiu. Como ela se enroscou nos fios, não sabemos até hoje. O fato é que, por mais que pelejasse, não conseguia soltar-se e quanto mais tentava, mais se enrolava. Não teve dúvida: “Socorro, me soltem daqui”. Quem disse que era fácil? Um dos primos tentava, tentava, mas não conseguia livrá-la do embaraço, ao contrário, também foi embrulhado no mesmo pacote. O riso de ambos, agora alto, era empanado pelo som. Ninguém via ou ouvia. Tocaram o interfone, um foguete explodiu na mesma hora. Deu meia-noite, todos começaram a se abraçar, dizendo aquelas frases feitas cheias de boas itenções de início de ano.

Os dois ali gritando e rindo ao mesmo tempo.

Foi o bebê que apontando o dedinho chamou a atenção da mãe.

Ufa! Finalmente alguém apareceu para soltá-los. Não foi o melhor de Goiás, mas de Franca mesmo!

— E aí, vai querer ir para a balada?

Ela não se fez de rogada. Ajeitou o cabelo, alisou a roupa, passou um batom e foi... A noite prometia.

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