E o fim?

Por: Chiachiri Filho

Já chegamos ao fim. Não foi ao fim do mundo, mas ao fim do ano de 2012. Nasce um Novo Ano e, com ele, novas esperanças. Do ano que passou, guardaremos as boas lembranças e esqueceremos as amarguras e frustrações.

E o mundo? Apesar das profecias apocalípticas, o mundo não acabou. Não houve explosões, catástrofes, cataclismos. Tudo normal: o Sol continua a nascer e a Lua não foi consumida pelas trevas. Os homens continuam amando e se odiando, trabalhando e se divertindo, fazendo a paz e a guerra, enfim, vivendo. Não há nada de novo ou extraordinário sob o céu ou sobre a terra. Portanto, o famoso calendário maia falhou ou foi mal calculado. O fato é que o mundo não terminou.

Volta e meia, a idéia do fim do mundo aparece para assustar a humanidade. Na Roma Antiga, por exemplo, a passagem do ano 1000 foi marcada por uma forte crença na consumação dos tempos. O pavor foi grande. Os preços caíram, principalmente os dos imóveis, e os mais sabidos e descrentes enriqueceram-se comprando casas e edifícios por preço de banana. Os ladinos estão constantemente atentos na perspectiva de se aproveitarem da ignorância dos outros.

Por detrás de uma profecia apocalíptica, há sempre um interesse escuso. Algumas seitas religiosas pretendem aumentar o seu rebanho e os seus dízimos e nada melhor do que o medo para promover o desejado aumento. Alguns outros setores da “ inteligentzia “procuram refrear o instinto criativo de um povo e amolecer o seu caráter nacional. Não há como negar: há sempre uma má intenção atrás de cada profecia apocalíptica.

Pensando bem, seria muito bom que o mundo acabasse ao final de cada ano. Tudo seria diferente: as pessoas, as coisas, os fatos. Os ambientes, as idéias. Assim e só assim o ano e o mundo seriam, realmente, novos. Haveria um eterno renascer, uma perpétua renovação de coisas e gente. Tudo seria diferente, surpreendente, espetacular. O mundo terminaria com o Ano Velho e o Novo Mundo que surgisse não teria tempo de trazer consigo os defeitos, as loucuras, os impostos atrasados, os débitos intermináveis, as crueldades, as amarguras daquele que se findou. E se alguma coisa trouxesse, não duraria mais do que 12 meses.

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