Débitos e créditos

Por: Luiz Cruz de Oliveira

Vem à luz o primeiro Nossas Letras de 2013.

Penso não só no ano que se findou. Penso em mais dois anos que se foram da década atual. Peso e sopeso algumas coisas.

Quantos livros já foram publicados em Franca neste começo de século? Muitos, com certeza. Quantos desses livros foram de ficção? Quantos autores publicaram em Franca nestes doze últimos anos? Entendo que seu número é expressivo, haja vista o número nada desprezível de antologias.

Tais reflexões me trazem, a um tempo, alegria e preocupação. Enche-me o espírito de sol a constatação de que nossa produção ficcional é enorme e de que a qualidade de nossa literatura continua ascendente. Entusiasma-me o desenvolvimento a olhos vistos da literatura feminina em Franca. Implantada solidamente pela romancista Evelina Gramani Gomes, evoluiu até as composições de Vanessa Maranha, de Regina Bastianini, de Eny Miranda, de Jane Mahalem, de Perpétua Amorim, de Sonia Machiavelli e de uma plêiade de mulheres que vêm enriquecendo ainda mais uma literatura cuja riqueza e amplitude tem sido reconhecida e premiada alhures.

Sombras se espalham ao longo do caminho de minhas reflexões quando percebo que não aparece, ainda, espírito capaz de se debruçar sobre a literatura francana e analisar criticamente ao menos a produção indiscutivelmente valiosa de Ygino Rodrigues, Antônio Constantino, Chorinho, Moisés Maia, Jonas Deocleciano Ribeiro, Evelina Gramani Gomes, Josapha Guimarães França, Carlos Assumpção...

As sombras preocupam-me ao observar que nem o Poder Público, nem a Academia Francana de Letras mantêm registros ou arquivos sobre os autores e obras que aqui surgem, sobre as tendências a que se filiam, sobre os caminhos que procuram desvendar.

A mim, mero escriba, não cabe criticar, nem traçar caminhos a autoridades ou a quem de direito. No entanto, como indivíduo apaixonado por esta cidade, resta-me a obrigação de dizer que a ficção francana não é resultado de diletantismo, mas conseqüência de trabalho sério e profícuo.

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