Belisca e sopra?

Por: Chiachiri Filho

Tive uma colega, a Vilma, cujas unhas eram bem longas e muito bem tratadas. Salvo engano, ela adorava e se orgulhava de suas unhas. Trabalhava como secretária e datilografava com invejável rapidez. Batia com a polpa dos dedos nas teclas e jamais as suas unhas serviram-lhe de embaraço.

Não há dúvida de que as unhas enfeitam as mãos femininas. Cortadas, lixadas, esmaltadas, elas complementam a beleza de mãos bem cuidadas. Suas cores vivas e brilhantes atraem os nossos olhares. Gosto do rosa, do vermelho, do lilás e de todas as suas tonalidades. Gosto das mãos macias que portam o cheiro do esmalte em suas extremidades.

Sedutoras, as mulheres têm em suas unhas mais um elemento dessa sedução. Ah! Como é bom sentir os dedos femininos penetrando e acariciando os nossos cabelos. Ah! Como é irresistível o deslizar de unhas pelo nosso corpo. Elas nos arrepiam, estimulam, revigoram e acendem a fogueira dos nossos desejos.

As unhas que acariciam e seduzem também podem se transformar numa arma perigosa.As unhas maternas, por exemplo, tornam os filhos mais comportados. Se o beliscão doer muito, logo virá o sopro benfazejo. As unhas das amantes, ao contrário, podem ser ferinas e violentas. Elas rasgam e sangram sem piedade e, aplicadas nas regiões vulneráveis, deixam o homem completamente abatido.

A imprensa local noticiou recentemente um fato preocupante. Um rapaz desavisado foi fazer uma visita a sua ex-companheira a fim de entregar-lhe a pensão alimentícia. Do encontro, acabou refazendo-se a relação e o rapaz, desarmado, amolecido, enfraquecido e saciado, levou um tremendo beliscão no saco escrotal. Para para fechá-lo foram precisos sete pontos. Sete pontos! Isso é que é unha! Unha de ferro que, provavelmente, foi pintada com esmalte preto, bem preto.

Portanto, prezado leitor, nem sempre após um beliscão vem um sopro balsâmico. Do beliscão de uma gata selvagem, ciumenta e traiçoeira podem vir vários pontos cirúrgicos.

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