Joverlei

Por: Marcos Cason

Quem frequentava, morou ou ainda reside em Patrocínio Paulista, cidade vizinha de Franca, e tem mais de quarenta anos, se lembra da expressão “joverlei”. Se você procurar no Google ou em outros buscadores, vai encontrar apenas que se trata de um nome próprio, e nenhuma referencia a “resto ou sobra de comida deixado por clientes em um restaurante e devorado por outros clientes” (a definição é minha). Desconheço a origem do termo e até dizem que foi em razão de alguém que morou ali e atendia pelo nome de “Joverlei” ou “Joveley”.

Na nossa pós-adolescência, eu e minha turma, toda sexta-feira era sagrada. Íamos a um restaurante da cidade de Patrocínio, e ficávamos “enrolando” com uma ou duas cervejas e um singelo prato de batatinha frita para aguardar um casal ou alguém que pedisse um prato que pudesse, uma hora e meia ou duas mais tarde, virar um “joverlei”. Não lembro se já existia a recomendação do Ministério da Saúde, que “Se beber não dirija”, mas para nós era desnecessário, porque ninguém da turma possuía carro. Tempos difíceis. Ah, só para lembrar, tínhamos mais de dezoito anos e, portanto, podíamos consumir bebidas alcoólicas.

Havia a complacência do dono do restaurante quanto ao consumo do “joverlei”. Mas tínhamos que consumir algo, pois saboreávamos o “jove” em pratos limpos, e estes teriam de ser lavados, certo?

Mas e quando na noite não havia nenhum “joverlei”?

Restava, então, fazer uma vaquinha e pedir o prato mais barato do cardápio e que dava para alimentar toda a tropa. Nem sempre dava, e aí pedíamos mais uma singela batatinha.

Você, amigo leitor, que se lembra da expressão e frequentava os restaurantes de lá, aceite o meu sincero agradecimento pelos “joverleis” que você deixou estirado sobre a mesa. O meu agradecimento e também o de amigos daquela turma, que talvez não queiram assumir que praticavam o “joverleinismo”.

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