Confissão

Por: Débora Menegoti

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Para uma pedrinha maravilhosa, do tipo que a gente bate o olho e vê um belo tesouro, uma maravilhinha natural, rolada de montanhas altas, que foi parar... talvez num riacho mansinho! Quem sabe?!

Eu a encontrei por terrível engano, por vírgula do destino. Entre aspas e parentes(es)...

Entre as palavras, sons, cheiros, óculos, e tua calça curta, tua camisa xadrez, cheio de doçura e encanto; silenciosas faixas que serviam como ornamento para aperfeiçoar ainda mais a visão de estar de frente a alguém tão raro, tão interessante...

Pedrinha solta! Solta e proibida.

Mas só sei seu nome. E da forma que me aperta o peito como fruta verde em grandes pedaços que não podem me tirar a fome e o receio... Desse engano, desse erro repentino. É triste, eu bem sei, meu amor, mas não posso com uma pedrinha assim...

Que belezura toda é essa! Que nó na garganta me roendo por dentro até as unhas da alma!

Por que ainda põe essas flores sobre a mesa? E esse verde jardim com muros pintadinhos de seu colorido? Tão color(do)ído! Esse piano, esse violão... E estes quadradinhos??? Estas miniaturas de telas encantadas adormecidas sobre fogão à lenha, essa força natural que emana por toda parte como força de madeira viva, tão selvagem e doce... Será possível? “Senhor, me livraaa!” Não quero maltratar ninguém, não quero sentir, não quero decapitar pensamentos justos...

Como pude??? Como pode?

Se era quente, se cheirava mato, terra, perfume, eu não soube.

Já disse, só sei teu nome mesmo. E sobrenome... Sei seus tons e sons também, sei tuas cores vestidas de sol, tuas pintinhas no rosto, sei teu café, teu pé... Não sei mais nada além de seu silêncio instável, volátil... E guardo bem o quanto posso juntamente a tudo aquilo que imagino quando fecho os olhos e percorro com a ponta dos dedos os teus lábios, teus cabelos... Soube através de tuas lentes, quando abriu a porta - síncope!

Era uma miragem... Um oásis para quem tem muita sede e esqueceu onde fica a sua boca. E percebeu que estava tentando saciar a sede bebendo luz alheia... Até então.

Mas só sei teu nome de pedra, das águas que traz, sei que é liberdade...

Só o teu nome.

Você era a mim muito mais raro. Proibido e caro.

Foi quando abriu a porta.

Foi quando mastiguei as palavras empelotadas na boca, com terra e besouros adormecidos, enquanto chamava a luz que não era minha, mas que eu queria tão bem e ao mesmo tempo doía...

Foi quando te olhei nos caracóis...

Nos caramelos...

Tímida e triste, desde então, porque já sabia...

Olhei então pra você, com receio, sem escolha, inevitavelmente, vi prelúdio de vida nascida e morta ao mesmo tempo, mas vi tudo sem palavras, beeeeem de-va- gar - niiinho...

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