Na boca do leão

Por: Chiachiri Filho

Se tivesse vencido as eleições para Deputado Federal, eu não estaria tão preocupado neste início de ano. Preocupado com tantas contas a pagar e, especialmente, com os múltiplos impostos devidos. Não sei se o meu minguado décimo terceiro salário será suficiente para fazer frente a tantos compromissos. O mesmo não ocorreria com os polpudos subsídios parlamentares. No sagrado exercício da deputância, eu receberia além do décimo terceiro, o décimo quarto e mais o décimo quinto salários e, com essa dinheirama, saldaria tranquilamente os débitos. Pleiteei um carguinho lá em Brasília. Porém, o povo, esse arauto de Deus e do diabo, me negou. O jeito, agora, é arcar com as consequências, isto é, saldar os débitos os quais não são poucos. É o IPTU, o IPVA, o ISS, o ICMS, o IR... São tantos ‘iiis’ que acabam nos deixando iiirritados. É imposto demais! É imposto para andar, para morar, para possuir, para trabalhar... Porém, irritados ou não, temos de pagá-los. O pior é que eles se acumulam nos primeiros meses do Novo Ano.

Não sou contra os impostos. Sem imposto, taxas e tarifas, não haveria asfalto, praças, água e esgoto, energia elétrica, escola pública, saúde e segurança e tantos outros serviços prestados pelo Estado. O pior é que apesar de tantos impostos, taxas, tarifas e outros emolumentos, o governo não nos oferece a saúde, a educação e a segurança que tanto precisamos. Revolto-me quando eles são destinados para garantir a maioria parlamentar, para facilitar a eleição ou reeleição dos políticos, para o aumento exagerado dos subsídios ou salários dos servidores do Estado, como é o caso dos deputados em suas remunerações e verbas de gabinete.

Um antigo Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, acusado de sonegação fiscal, foi indagado sobre o motivo de sua prática criminosa. Sem titubear, ele respondeu ao repórter:

- É porque eu sei muito bem para onde irão esses impostos.

Foi uma boa justificativa, não foi?

Envie seu texto
e faça parte do Nossas Letras