No Tom de Gabriela

Por: Jane Mahalem do Amaral

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Ela chegou. “Seu cheiro é de cravo, sua cor de canela à Gabriela veio de longe, de um lugar que já nem há, veio dormindo pela estrada, veio parar neste lugar”. Tom Jobim me ajudou a compreender esse novo ser que chegou no dia 22 de janeiro de 2013 em nossa família veio de um outro lugar, desconhecido para nós, mas tinha rumo certo e fez essa viagem durante nove meses.

Já nascida como avó, com a chegada da outra neta, passado o surpreendente momento do nascimento, pude estar agora mais centrada no milagre da vida que, de repente, estava em meus braços.

Quem é Gabriela? De que lugar veio ela? O que ela já sabe que eu não sei? Seu olhar firme e determinado, já nas primeiras horas de vida me estimulava a enxergar o Divino habitando naquele pequeno corpinho. A alma que esperara, pacientemente, o fim daquela estranha viagem, acorda agora e nasce também.

Lembrei-me da frase do escritor C.S. Lewis: “Você não tem uma alma. Você é uma alma. Você tem um corpo.” Isso justifica a emoção terna que nos causa o nascimento. Não há necessidade de recursos cênicos. Sutilmente emerge, ganha luz e ressoa um som de cristal nas nossas almas que reconhece outra alma. Estamos juntos novamente! Viemos da mesma Fonte.

“Manhã bem cedinho na mata, o sol derramou seu carinho, um brilho na folha de jaca, pensei em rever meu benzinhoà Gabriela”. Tom Jobim continua cantando dentro de mimà

Em busca do tom de Gabriela, procuro vislumbrar o sentimento que já se faz forte: “Chega mais perto, moça bonita, chega mais perto meu raio de sol... A minha casa é um escuro deserto, mas com você ela é cheia de sol.”

Enquanto isso, ela já chorava, já queria mamar, já lutava para viver... A vida começava. Um dia após o outro, Gabriela estará acordando para viver neste mundo e cumprir o ciclo da Vida. Alguém pode dizer que não acredita em milagres. Eu acredito. Eu vi Gabriela nascer e nada pode ser maior do que esse milagre.

Começaremos, a partir de agora, nova viagem, só que agora juntas.

“Já não consigo viver sem ela...”complementa Tom Jobim...

Nem eu.

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