Navegar é preciso

Por: Farisa Moherdaui

Uma das coisas de que gosto é de viajar. Me despeço sempre com um até breve porque breves mesmo são as minhas viagens e simples e leves como os pertences que carrego na mala.

O que pesa mais é o pagamento em dez vezes, mas sempre em dia, sem atrasos ou complicações. Vou contando: dez, nove, oito.... e a última, uf! Que alívio. Tudo zerado até que me aparece outra oportunidade. Novos lugares, novas emoções e novas dez prestações a serem pagas. Mas se gosto, vou e pronto.

Viajar de navio então é o que mais me encanta e diverte, apesar do aperto no coração, quando o apito melancólico anuncia o gigante que devagarinho vai singrando céu e mar. Então choro.

O interior do navio é contagiante e em algumas vezes chego a esquecer para onde vou. O que me assusta um pouco é quando me perco pelos elevadores, corredores, salas e salões, do navio, bem como estar entre pessoas desconhecidas, mas muitas delas procurando os mesmos caminhos, mais ou menos assim:

- Você, o que procura? Se a academia de ginástica ou a piscina, não é por aqui. É do outro lado, depois de subir duas escadas, percorrer um comprido corredor e ainda virar a esquerda, mas não tenho muita certeza porque ainda também estou procurando. Vamos juntas.

Quase sempre é assim que faço novas amizades.

E naquela manhã, na varanda da cabine aberta para o mar, enquanto louvo a Deus por tanta beleza, o toque do meu celular a interromper toda aquela paz. Surpresa atendo e do outro lado a voz nítida da Vanessa, gracinha de manicure,de Franca manda o seu recado:

- Oi, Farisa, você não vem hoje fazer as unhas? Está atrasada.

- Vanessa , querida, não sei nadar e o navio em que estou não pode me levar de volta, mesmo porque nada mais quero além desse céu azul e esse imenso mar de verdes águas.

- As minhas unhas? Ah sim, as minhas unhas ficam pra depois.

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