Doce Sal

Por: Jane Mahalem do Amaral

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A leitura do último Nossas Letras, de sábado passado, 09 de fevereiro, me trouxe interessantes sentimentos e gostosas reflexões.

Comecei caminhando dentro de uma livraria com Sônia Machiavelli e me senti exatamente como ela, quando fico horas de pé na frente de uma prateleira, buscando e saboreando descobertas literárias. Seu texto, uma inteligente resenha de livro supostamente culinário, foi mais longe e me mostrou mesmo uma miscelânea inusitada. Depois acompanhei Luiz Cruz pela rua Major Claudiano e me encontrei conversando com aquele sábio velhinho, que me revelava uma antiga história de caráter e de crença no ser humano. Identifiquei-me com Everton de Paula sobre a incompetência de contar anedotas e de fazer os outros rirem. Gostei também de voltar à minha infância e, como Maria Luiza Salomão, sentir a alma querendo aprender tudo. Junto com Maria Rita Liporoni revivi meus antigos Carnavais na minha pequenina e querida cidade de Cássia onde amores adolescentes vibravam no salão a cada toque do bumbo e a cada repicar do pandeiro. Emocionei-me com o poeta do poema mudo e ausente de Caio Porfírio e me deliciei com o pedido veemente do
Chiachiri para que não morram seus leitores. Percebi a delicadeza de sentimento de Zelita Verzola ao identificar um pequeno gesto como milagre. A poesia de Shirley M. De Oliveira me levou a voar e o texto poético de Ronaldo Silva mostrou-me mais um modo de estar no mundo. O Coração sem Peneira de Débora Menegoti inaugurou sonhos no meu olhar. Raphael F. Lopes, meu ex-aluno, ensinou-me o caminho das estrelas e a leveza de Farisa Moherdaui me alegrou com suas peripécias no navio. Mas a foto da “jardineira” quebrada, (que Lúcia Helena Brigagão muito delicadamente chamou de ônibus) realmente me levou de volta a uma ingênua criança que habita num lugar sem datas e que continua viva na minha história de vida.

Em cada texto, um jeito de olhar o mundo... Em cada autor, uma doçura... Mas por trás de cada doce, um sal... Um grito que quer perpetuar a Vida.

A aparente diversidade simplesmente se desfaz quando encontramos no tempero da alma o sal que nos iguala e nos embala na dança das palavras.

No último CD de Marisa Monte, ela canta uma música de autoria do compositor André Carvalho que diz assim: “A nossa diferença nos faz iguais ao sabor desse sal, doce sal que tempera nossa luz.”

Bendito tempero!

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