À distância

Por: Débora Menegoti

A casa da minha infância: verde, branco, laranja e cor de sangue. Sempre era tudo a sua volta, esconderijos.

O que mais me sufocava era aquela infinita bronquite, mas a Nitinha, minha tartaruga, me curou.

Não tenho mais ânsia de morte.

A casa está ainda mais alva.

Não temo mais o canto da coruja.

No momento os canivetes e os remédios têm seus fins bem definidos.

Brinco agora de ser mãe e amiga

Esposa não posso ser. Ainda guardo lugar de filha.

Às vezes cozinho e te sirvo em guardanapos.

Dá até tempo de pedir licença e dizer ‘muito obrigado’.

Mas ninguém diz.

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