Poeta

Por: Claudia Filipin

(para aquele que me inspirou e sempre há de me inspirar)

O jovem poeta
Que acreditava em estrelas
(Em comunhão)
No encontro das mãos
Na abstração da dor
Na divisão do pão
No entrelaçamento dos corpos

O jovem poeta
Que acreditava, sobretudo, nas certezas da juventude
No soprar manso das brisas, elas sempre haveriam de vir
Nos acordes desafinados de seu velho violão
Em rimas criadas por acidente
Nas pessoas, acreditava nas pessoas
No amor,
Enfim...

Esse mesmo poeta,
Cego em crenças, outrora iluminado por quimeras
Jaz agora soterrado, a sete palmos de seus sonhos

Agora, velho poeta.
Não teme acordes em descompasso
Nem rimas forjadas, ou amor negociado

O gasto poeta
Crê em dores incuráveis
Em bocas separadas
Em esperanças puídas

Enfim, tenta uma sobrevida.

Esse poeta,
Encontra-se a sete palmos de seus sonhos, acordes, rimas, alegrias, certezas, dores...

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