Nascentes

Por: Hélio França

(em especial para Lydia Rodrigues e Débora Menegoti )

Tenho lido cá neste caderno textos de novos escribas, os quais promovem gratas emoções, tenho certeza, não só em mim, também naqueles leitores com feeling para diagnosticar “estilo próprio com talento e sensibilidade”.

Dias desses Luiz Cruz me surpreendeu ao escrever que Vanessa Maranha lhe pareceu surpreendente com seu novo livro Oitocentos e Sete Dias. Há muito mais de oitocentos dias eu já tinha ficado surpreso com o talento de Vanessa quando ela ainda passeava pela coluna “ Insight “ do Comércio da Franca. Tanto é que fui pessoalmente conhecê-la na redação do jornal, me apresentando e parabenizando-a pelo estilo próprio e moderno de escrever pequenas notícias, fatos diários, notas do cotidiano etc.

Mais surpreso ainda fiquei quando li o seu Cadernos Vermelhos. Surpreso e emocionado a ponto de transformar suas palavras do conto Diphusa em canção: fiz letra, pus melodia, gravei e apresentei a Vanessa sem que ela soubesse, dizendo-lhe na ocasião : “agora somos parceiros.” Minha recompensa foi ver seus olhos marejados assim que terminou de ouvir o CD com a música Diphusa.

Abro este pequeno parêntese, meu caro Luiz Cruz, apenas para dizer que nunca é cedo para nos surpreendermos com algo, ou se preferir, nunca é tarde, desde que nos exista emoção.

Mas voltando ao início deste texto, Jane Mahalem escreveu no último Nossas Letras algumas reflexões sobre a diversidade dos vários colaboradores de edição recente do caderno. Não sabia, é claro, que ao lado do seu texto estaria sendo publicado um outro, pequenininho, de poucas palavras, com um título menor ainda, mas expressando uma poesia imensa, arrebatadora, contida na alma dos grandes vates, e exposta de forma tão singular, leve como uma flor silvestre, fatal como um dente de leão, sonoro como um pássaro, livre e sutil como os grandes amores ! Jane também deve ter se emocionado com o primor do poema de Lydia Rodrigues intitulado Voa !

O que vem provar que para agradar não é necessário escrever muito, basta escrever o que a alma do leitor compreende. Confesso que fiquei surpreso também com o talento de Débora Menegoti quando li há poucos meses sua primeira participação neste caderno. Não foi preciso ler outros para ter certeza, bastou o primeiro, lógico que devidamente avalizado pelos que se sucederam, vindo a confirmar minhas suspeitas de um novo talento surgindo no Nossas Letras.

Admiro a escrita sucinta, estilosa, rebelde, direta, corajosa, voluptosa, apaixonante, sensual a ponto de desnudar hipocrisias, discreta mas que acenda os desejos das almas mais recatadas e exploda de luz os corações habitados só pela escuridão do passado.

Que bom ver jovens talentos aflorando sob a batuta de Sonia Machiaveli, que, aliás, não me surpreendeu apenas há muitos anos, surpreende-me a cada dia, a cada gesto, a cada Vanessa, a cada Lydia, a cada Débora ...

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