Corredeira

Por: Débora Menegoti

No ventre da cadela
Eu,
Sensação asfixiante,
No colo da princesa,
Cinderela de pelos,
Divido com artificiais sabores
O colo preferido
-cartilagem que fere-
Frutas lá do fundo rolam até aqui
Árida cor, repartida em dois tons
Meio pó digerido em risos ou leite de sândalo,
Esperando a mão no lombo prateado,
Me jogará contra os recifes.
Esfolada ou repartida agora,
Arrasto meu corpo sob o sangue espesso
Da dúvida...
Da dúvida
A quem pertenço...
A quem pertenço?
Ao alimentar-te com consolo
Miserável arpão faz-me ausente
Da profundidade vejo uma face
Olhos de ônix, pele de jambo
Vem beber-me
Em pequeninos peixes fugazes

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