Mais uma vez, lembranças

Por: Farisa Moherdaui

Por uma vez mais falo de saudades e lembranças da Rifaina querida que me viu nascer. Fecho os olhos e vejo como num filme, mas em preto e branco porque era assim nos tempos que lá vivi.

Rifaina fica perto, eu sei, fácil chegar, e num vapt-vupt, pronto, posso estar lá. Mas a minha vontade, o meu sonho é ver a Rifaina da minha memória, do tempo que passou. Cidadezinha acanhada, a casa onde vivi, a poeira que subia ao simples pisar dos tamancos das lavadeiras de roupas que em manhãs de sol desciam para o buracão com enormes trouxas firmemente alojadas no alto da cabeça. No buracão, as abençoadas águas puras, cristalinas, de onde as roupas lavadas saíam branquinhas de dar gosto.

Saudades do trem de ferro que era visto ainda ao longe, a soltar fumaça e fagulhas, danificando roupas e chapéus dos viajantes. A cadeia pequena sem grades, sem vigias, até mesmo sem presos, ali numa rua às margens do rio por onde a minha saudosa irmã Olga não passava porque tinha medo de soldado que nunca era visto.

Os sapos, zoiúdos e engraçados, espalhados pelas ruas escuras, num coaxar como o mais sonoro e estranho festival de músicas. A balsa, levada por cabo de aço e carretinha, bem como as frágeis canoas a transportar as pessoas que trabalhavam do outro lado do rio.

Essa é a Rifaina das minhas lembranças. Mas que mudou muito, eu bem sei, dada a necessidade premente de acompanhar o progresso do mundo de hoje. E isso Rifaina tem conseguido, pois sabe que mudar é preciso.

O que não muda jamais é a beleza de toda a paisagem, o verde das matas, os morros vistos ao longe, a alegria dos pássaros. A natureza que Deus plantou. E a doce lembrança plantada também no meu coração.

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