Ah se eu te pego!

Por: Farisa Moherdaui

Dia desses, ao entrar na varanda da minha casa, que susto, que horror terrível mesmo.

– Então, um larápio?

– Sim, um larápio escuro, cabeludo, parecendo rir de mim ou para mim, sei lá.

Procurei me defender com um cabo de vassoura, poderosa arma que me salvaria do perigo. Mas das pauladas todas, nenhuma acertou o alvo. Depois, aquela cadeira que eu atirei, mas que também nem passou por perto do safado. Então subi eu na cadeira, pensando estar a salvo, mas o esperto e gozador, dando de rodas, parecia não se cansar e cansada fiquei eu ali em pé, sem poder descer.

Foi quando me lembrei do vizinho pátio do Detran, o estacionamento separado da minha varanda por um simples muro. Em alto e bom som pedi ajuda e num instante aparecem três funcionários vestidos com uniforme de trabalho, mas parecendo soldados em campo de guerra. Armados com paus, porretes e traves, deferiram cacetadas e pauladas, mas também não acertaram nenhuma, pois o espertalhão, parecendo zombar, passava como um raio por entre as pernas dos soldados de araque.

E o danado conseguiu fugir, mas que jeito, ninguém sabe e ninguém viu. Já na rua, entre os pneus e rodas dos carros estacionados, não foi alcançado. Os soldados do Detran ainda na peleja e eu, assistindo àquele “baile” sem orquestra, onde os três cavalheiros “dançaram” até molhar a farda.

Vencedor, o rato, sim o rato, eu imagino, deve estar ainda rodando por esgotos ou outro lugar qualquer à procura de um bom pedaço de queijo, mas que seja prato, parmesão ou provolone com certeza.

Os soldados meus amigos, desertando do embate, só conseguiram pedir um copo de água bem geladinha.

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