Epifania

Por: Lia Beraldo

Palavras ditas no silêncio de um olhar, jogadas ao sabor do vento... Velejam o intacto e obscuro horizonte... Seguem a perder intensidade pelo tortuoso caminho até o meu existir... Escuto as sílabas apenas como um sussurro, entretanto, a alma ressoa cada letra como emoção única de uma lágrima!

Sentidos liados pela razão de compreender a simplicidade do que foi dito, deveras com tamanha naturalidade. Palavras que surgiram apenas como menção, simples forma de construir uma inteligível ideia. Uma simples onda sonora! E por que tanta emoção em se fazer ouvidos?

Palavras ditas em vão, sem pretensão. A gerar uma recordação eterna para aquela alma disposta a se fazer sentir... A repetir eternamente o teor daquela mensagem quando a distância se faz tão palpável! Mas, o vento parece se modular conforme o coração implora, a mimetizar a voz de causador de tamanha emoção.

Um doce favor dos céus, que me presenteiam com a natureza dos teus saudosos dizeres... Trilho o mundo a escutar o bem de nossos encontros no canto dos passarinhos. Navego os mares a contemplar o murmúrio do mar que tanto lhe causa o sorrir. E a chuva apenas brinca com meu coração! A me fazer plena saudade, que respinga de meus olhos a se perguntar quando a alma poderá escutar novos gracejos.

Apesar de não ter intuito algum em compreender o latim que há em cada palavra, envolvo-me em dizeres que se perderam no tempo, mas está pleno em minha alma... Descortino-os a desfrutar de lembranças inesquecíveis... E, em um lapso de razão, questiono tanta alegria gerada por intocáveis palavras.

Renego o saber e canto tal qual o sabiá! Ironias têm sempre que se fazerem presentes... O sabiá de minha alma apenas canta o saber que cabe na alma, que não possui ligação alguma com a severidade da racionalidade. Bem-que-logo-vi que o sabiá de minha alma compreende a essência de meu sorrir... Mas, palavra alguma é capaz de descrever; palavra alguma é capaz de dizer tamanha descoberta.

Compreendo a felicidade que existe em cada sílaba que ouvi trazida pelo vento que me envolve como em teu aconchegante abraço. Sinto que a verdade está na simplicidade de cada som... Uma sinfonia de emoções orquestrada por um maestro de terras longínquas e de coração puro...

Embalada por tão doce música de recordações que habitam o pretérito temporal; embora, vivam presentes na minha alma que, cedo, aprendeu a voar, inundo-me da certeza que há em cada nota musical de meu amor.

Sigo a naturalidade do céu a brilhar como as estrelas de meu caminho. Envolvo-me plenamente no sorriso que se faz eterno em minha face. Errante como sou, versejo sobre o meu amor. Bem-que-ainda-senti! Não há ali latim! Não há ali onda sonora! Não há ali verbete em empoeirado dicionário! Não há ali sílabas mudas! É apenas minha alma, natural, a voar a te encontrar no passado de nosso presente, que se estende pelo futuro de nosso amor.

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