Canto de incelência

Por: Everton de Paula

Lá vai o enterro já na calçada,
Lá vai minha filha pra caminha.
Triste coveiro, larga da enxada,
Ela não gosta de dormir sozinha.

Não gosta não, pode ter medo,
Não a conhece a boa madrinha.
Triste coveiro, larga da enxada,
Ela não gosta de dormir sozinha.

É tão linda a minha filhinha,
Envolvida toda de branco.
Lá vai ela assustadinha,
Talvez por este meu doído pranto.

Olha, coveiro, ela é tão nova
E este ninho é tão estreito.
Olha, coveiro, faz-lhe outra cova,
Enterre-a aqui, dentro do peito.

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