Café conosco

Por: Marcos Cason

Era um sujeito simples. Não teve oportunidade de estudar, e vivia de pequenos serviços naquela pequena cidade.

Fazia de tudo: capinar quintal, arrumar a cerca, consertar o galinheiro, trocar telha quebrada, pintura de muros, serviçinhos de pedreiro (era menos que “meia cuié”), tudo o que não demandava responsabilidade. Como o que era cobrado era pouco, os clientes também não reclamavam quando o serviço não ficava de acordo com o desejado.

Mas o que ele mais gostava e era feito no capricho, eram os serviços de jardinagem. Sua casinha modesta era um recanto de flores. Adorava hortênsias e era fascinado por rosas. Quem visitasse seu pequeno jardim se maravilhava com as belíssimas roseiras bem cuidadas e caprichosamente podadas. Possuía espécimes de todas as cores e se orgulhava das mudas que produzia, e que eram doadas apenas para a irmã do padre da paróquia. O padre era estrangeiro e morava com a irmã em casa própria, dispensando a casa paroquial. Para os demais habitantes da cidadezinha, as mudas de rosas eram vendidas. Mas a preços módicos, bem em conta mesmo.

As hortênsias, de fácil reprodução, eram somente doadas, para quem se dispusesse a buscar em sua modesta residência.

Naquela manhã chegou cedinho à casa daquele fazendeiro. Cuidava há anos do belo jardim da residência. A mulher preparava o café para despachar as crianças para a escola.

Quando ele apontou a cara no portão, o fazendeiro logo foi chamando:

— Aristides, vem tomar o café conosco.

Ele responde:

— O café eu quero sim, mas este “osco” é de fubá?

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