O nome da rosa

Por: Karine Pansa

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Em 23 de abril, transcorreu o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, celebrado oficialmente há 17 anos pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Por ocasião da comemoração em 2013, é pertinente enfatizar a mensagem relativa à data escrita por Irina Bokova, política e intelectual búlgara, diretora-geral daquela organização multilateral: “Este dia propicia oportunidade para refletirmos juntos sobre maneiras de melhor disseminar a cultura da palavra escrita.”

Refletir sobre o tema é tornar evidente a imensa responsabilidade do setor produtivo do mercado editorial, cuja atividade transcende em muito ao universo dos negócios. Não basta produzir e vender livros com foco na demanda do mercado privado. É preciso, em especial em países que ainda não alcançaram o desenvolvimento, viabilizar a multiplicação do acesso à leitura, de modo que seja um direito inerente à cidadania e uma ferramenta de aperfeiçoamento do ensino e melhoria do aprendizado e não mero privilégio ligado ao poder aquisitivo.

Assim, têm sido gratificantes os esforços da CBL, em iniciativas como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Prêmio Jabuti, internacionalização da produção editorial brasileira, em parceria com a Apex-Brasil, estímulo e apoio a eventos nacionais e organização da participação de nosso país em eventos do exterior. Bom exemplo disso é a Feira do Livro de Frankfurt, em outubro próximo, na qual o Brasil será homenageado. Em ação conjunta com a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), estamos preparando uma participação destacada do País, levando 70 autores e revestindo a cidade alemã de brasilidade.

São ações importantes, demonstrando que as entidades de classe devem trabalhar de maneira proativa para estimular, defender, ter voz política e contribuir para o fortalecimento do segmento em que atuam seus associados. No caso do livro, este fiador do desenvolvimento e da justiça social, é decisiva a sinergia do mercado em torno de seus organismos representativos, de modo que todas as medidas e estratégias voltadas à disseminação da leitura tenham ainda mais força e possam ampliar o acesso dos brasileiros à informação e à cultura.

Os números mostram que estamos avançando nesse processo. Segundo a última edição da pesquisa FIPE “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, as editoras brasileiras comercializaram aproximadamente 469,5 milhões de livros em 2011, estabelecendo um novo recorde de vendas para o setor. O número é 7,2% superior ao registrado em 2010, quando cerca de 438 milhões de exemplares foram comercializados. Do ponto de vista do faturamento, o resultado também foi positivo, e atingiu a casa dos R$ 4,837 bilhões um crescimento de 7,36% sobre o ano anterior, o que, se descontada a inflação de 6,5% pelo IPCA do período, corresponde a um aumento real de 0,81%. O melhor é que o preço médio do livro recuou 6,11% nas vendas das editoras ao mercado, numa queda acumulada de 21,8% desde 2004. Descontada a inflação, significa decréscimo real no preço médio do livro de 44,9% no período 2004-2011.

Portanto, o Brasil está alinhado às metas da celebração do Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, comemoração que enaltece a imortalidade de Cervantes e Shakespeare, falecidos em 23 de abril de 1616, e celebra o nascimento de autores como Maurice Druon, K. Laxness, Vladimir Nabokov, Josep Pla e Manuel Mejía Vallejo. Ah, sim: o leitor deve estar se perguntando a esta altura o porquê de o título deste artigo “plagiar” o genial romance do grande Humberto Eco. Explico: em paralelo à vida e obra dos antológicos escritores, outra ideia inspiradora da Unesco para instituir a data advém da tradição catalã, na Espanha, de dar uma rosa a quem compra um livro nesse dia. O nome da rosa é conhecimento!

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