Quando o populismo ofende

Por: Everton de Paula

Votei no Lula, na sua primeira gestão. Acreditei no discurso petista como algo renovador. Com o tempo, o PT revelou a que veio: José Dirceu e companhia demonstraram a capacidade inalcançável da corrupção corrosiva e da tremenda cara-de-pau com que se autoelogiavam e com que ainda se dirigiam à massa popular menos crítica e menos preparada para entender as sutilezas da tapeação. Veio o segundo mandato: não me convenceram. Veio Dilma. Não votei nela, porque a decepção já era enorme. Mas os desavisados entenderam que todos seriam iguais no país, todos teriam as mesmas oportunidades... Aquela velha lorota do socialismo morto e enterrado, com fantasmas perambulando pelas ruas de Havana. Dilma venceu e é capaz de vender a alma para se reeleger. Pelo menos é o que sugere. Vejamos alguns de seus desacertos.

A empregada doméstica, por exemplo, pelo salário e custos trabalhistas (estes, muito justos), pode perder o emprego, ficar sem renda; mas aí vem o governo PT e lhe dá uma bolsa de 79 reais e proclama aos quatro ventos que ela saiu da linha da miséria. Que agora ela não é mais escrava. Por esse raciocínio, escravos devemos ser nós, da classe média, que trabalhamos, temos superiores imediatos, recebemos ordens todos os dias úteis da semana...

Outro tiro que o PT dá no pé com sua visão caolha de justiça social: tudo converge para um populismo que objetiva a reeleição de Dilma. Mas os números da economia brasileira já fazem efeito: Dilma começa perder popularidade porque está mexendo no bolso dos brasileiros. Só os incautos acreditam na pesquisa manipuladíssima realizada entre 2 mil pessoas, num universo de 140 milhões de eleitores.

Quis acabar com a classe média (entendendo-a erradamente como elite pedante) e se esqueceu de que é esta classe que fomenta as artes, a cultura e a educação, tão necessárias à sociedade como o pão ao corpo e a fé à alma. Dilma não sabe o que fazer com as diretrizes curriculares do ensino básico e está patinando na economia. Os juros voltaram a subir. O governo não permite um crescimento forte da economia. Estamos vivenciando um quadro de produtividade em baixa e ritmo fraco de investimentos. Frutos de medidas desbalanceadas, que geram inflação alta.

Definitivamente o PT já não engana mais ninguém. Apenas fala, fala, fala... Enquanto a economia vai aos poucos decaindo... E a segurança pública? E a saúde pública? E o entupimento de alunos nas faculdades? E a qualidade do ensino superior? A lei que autoriza professor sem pós-graduação das universidades federais é uma aberração. Imaginem e pasmem: as universidades federais não podem mais exigir diploma de mestrado ou de doutorado em concursos para professor. Procurado, o governo federal afirmou que deverá mudar a legislação. Ora, se é para mudar, para que criou? O que ocorreu na mente das autoridades em educação quando elaboraram tal disparate? O problema está centrado no momento da elaboração da lei, e não na sua retificação. É um sinal de pouca inteligência ou de muita má-intenção em ser populista para ganhar eleição.

Tem mais: e a corrupção? E a impunidade? E os mensaleiros condenados fazendo parte de uma Comissão de Justiça? E a contradição intrínseca das cotas universitárias, quando são distribuídas a tantas faculdades e proibidas, por exemplo, no ITA?

Sabem o que restou do PT? Apenas o discurso, o eterno discurso populista, o blá-blá-blá entediante, inócuo, vazio mas inflamador para os que não têm consciência crítica... E quando nós criticamos, somos chamados repetidamente de ‘elite’. É o único revide em que se baseia o partido vermelho. E quando a imprensa aponta erros petistas, ela é golpista. Falta agora o PT dizer que a revista TIME é golpista, porque incluiu o nome de Joaquim Barbosa (em lugar de Dilma) como uma das 100 pessoas mais influentes no mundo.

Na visão petista, todos estão errados, menos o PT, é claro. O PT é a única salvação do Brasil; fora do PT não há salvação; por isso deseja avidamente eternizar-se no poder. Um absurdo, um desrespeito à opinião alheia, uma exclusão de ideias, uma ofensa à nossa inteligência.

Agora querem controlar os meios de comunicação. Aliás, a comunicação contrária também é elite. Agora querem também dificultar a criação de novos partidos políticos.

Que elite é esta a que se referem? Fica clara e óbvia a resposta: “elite” para o PT são todos aqueles que não pensam como eles.

Dilma é rancorosa, tem ódio visceral à classe média e aos intelectuais. Vamos dar bolsas aos ‘excluídos’, vamos contratar docentes sem mestrado ou doutorado para as universidades federais, vamos entupir as salas dos cursos superiores com as cotas (em nome de um populismo duvidoso) e o futuro do país que se exploda... Lembra muito a utopia socialista de Maduro. Dilma está reconstruindo uma Inglaterra antes da era Thatcher, pensando ilusoriamente que está fazendo justiça social. Inclusão social é educação, não é bolsa-família: é saúde, não é cota; é segurança, não é discurso; é trabalho, não é alta de juros; é moradia, e não um programa de reeleição e perenidade no poder.

Basta o povo brasileiro não precisa de esmola!

Vocês acham que tudo o que estou escrevendo aqui saiu de minha cabeça? Não! Sabem quem disse metade disso tudo? Exatamente o Lula, literalmente, quando ainda era oposição. Não é formidável? Ainda bem que está tudo gravado, para quem duvidar. Graças a Deus!

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