Neguinha das Flores

Por: Mirto Felipim

(sem ela, minhas flores não existiriam)

Ela pode ser imaginada como qualquer tipo de pessoa, menos comum, ou, pelo menos, o que se chama de comum. Não espere que ao atendê-la ao telefone receberá uma boa notícia. Geralmente não é. Dentro de seus conceitos é uma pessoa justa. Talvez nem tanto, no meu. Mas é leal. Do jeito dela, mas é. Inspira-se muito na saudosa tia Dulce. Nesse ponto acerta em cheio, na parte positiva. Tenho, às vezes, de discutir com ela, para que se preocupe menos com os outros, leia-se família, e mais com ela, principalmente saúde.

As flores são seu carro chefe. Nada de flores suntuosas ou raras, mas as mais perfeitas marias-sem-vergonha. No quintal de sua casa dão sem cerimônia, com a complacência familiar dela e de seu marido. Bastou um primeiro plantio e agora se multiplicam sem pedir licença ou alvará, sempre bem vindas. São suas amigas, confidentes, companheiras e futuros mimos para os que ela ama e considera. Foi alcunhada de Neguinha e eu escolhi o sobrenome das Flores.

Por mais contrariado que eu esteja com alguma de suas atitudes intempestivas, cada vez mais raras, felizmente, quando ela bate em minha porta, entra um pouco mais de vida no ambiente. Afinal o seu sorriso tímido, quase uma desculpa sem palavras, atrás de um vasinho de suas multicoloridas marias, acabam me desarmando e, desconfio, ela sabe disso. Ela é a Neguinha da família. Neguinha das Flores para mim. Com nome, sobrenome e desejo enorme de ajudar, embora, por vezes, com maneiras nem sempre convencionais.

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