Basta

Por: Heloisa Pereira de Paula Reis

Novamente se viu frente a problemas que não eram seus, que tinham sido tirados de outras costas e colocados nas suas, como se nelas pesasse menos. Mais uma vez de tantas outras, quiseram colocá-la frente ao tribunal da vida, para solucionar problemas que a outros incomodavam mais que a ela, velha sábia que se tornara. O que não queriam fazer, a ela caberia fazê-lo. É o que sempre pensavam, quando aparecia uma dificuldade incontornável. Desde sempre. Afinal...

Mas acontece que desta vez, em sua sapiência, disse um não que saiu de suas entranhas e se fez ouvir com todas as letras. Um não para que ela mesma ouvisse, assumisse e se posicionasse. Um não que há muito deveria fazer parte de sua vida, cansada que estava de deixar-se conduzir pelas leis do outro. Aprender com o tempo a separar o que queria fazer do que queriam que ela fizesse. Era chegada a hora de colocar em prática o que aprendera a duras penas. Desceu do pedestal em que fora colocada como guardiã que a queriam, guardiã da moral e bons costumes. Impôs sua vontade, bateu de frente com aqueles que desejavam que o peso das decisões fosse o seu, enquanto se escondiam a observar o resultado final. Ela que se expusesse, que desse sua cara a tapa. Afinal... era tão cômodo delegar poderes e cobrar atitudes. Mas finalmente ousara ser ela mesma, consciente que se tornara de que suas decisões não mais seriam manipuláveis por quem quer que fosse. Assumiria só o que era seu, convencida de que estava de que tudo na vida é mutável. Tudo. Basta querer que seja e ponto.

Que a pensassem distante, ensimesmada, inflexível. O basta já fora dado e seria seu companheiro ad aeternum. Faria parte de suas noites bem dormidas, seria o fiel escudeiro de sua temperança.

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