Gestações

Por: Débora Menegoti

Morava sufocada em uma semente
a dor do amor desconhecia
somente ponta de facão sabia
não havia trancas nas portas de casa
do pasto, pomar, céu que me guardava
engolia, acalentava e respondia
na voz do vento, que dali não mais sairia
sonhei, foi um sonho pinicante
gramas para se rolar
e não havia estas luzes
estes carros apressados
amadureceu o dia e eu
apodreci junto à cidade
quando acordei no mato
com meu pranto e carrapato
usei os dedos e perfurei o chão
o mais fundo que pude
senti o cheiro da terra,
o sangue e o cheiro de minha mãe
em cada ferida aberta
plantei um irmão
me escapou também uma filha
daqui a algumas chuvas
vai brotar proteção

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