Tempo

Por: Heloisa Pereira de Paula Reis

Ao final do dia já cansada, punha-se a imaginar quão bom seria se o dia tivesse mais horas e ela não mais ficasse com a sensação de impotência frente a tantas coisas a serem feitas... E proteladas sabe-se lá para quando. A síndrome do estudante era sua fiel companheira. Não a abandonava nunca, deixando-a exposta às incertezas, que muitas das vezes geravam atrasos e perda de qualidade nos trabalhos a serem feitos, e que faziam com que o estresse nela fizesse morada.

Precisava melhor utilizar seu tempo, mas a falta de iniciativa não lhe permitia sentir que a responsabilidade de tudo era só dela. Na condução de sua vida, a ela caberia a direção de tudo e do todo. As rédeas deveriam estar sempre em suas mãos.

Entrava e saía dia, passavam-se os meses e nada tirava dela a sensação de que o tempo estava cada vez mais curto. A sensação de inadequação às horas era uma constante em sua vida.

Sequer se atinha ao fato de que as 24 horas do dia, divididas em minutos e segundos, eram oferecidas igualitariamente a todas as criaturas e que em sua benevolência o tempo se dá por inteiro, por igual. Sempre. Nem um tanto a mais nem um tanto a menos.

Por que então ela reclamava do tempo, que há tanto tempo segue inexorável, não se desviando nunca da linha para ele traçada? Por que não percebia que se o usasse a seu favor tudo poderia ser diferente? Precisava parar de brigar com ele, que passava por ela como se não a visse. Ia em frente, altaneiro. Ela que o seguisse e se adequasse a ele.

Nem ao menos se dava conta de que ao ser a gestora de seu tempo, poderia fazer dele o que melhor lhe aprouvesse. Mas o que a impedia de usá-lo a seu favor? Talvez ela não soubesse que ao organizá-lo, faria com que tudo fosse diferente. Muito.

Mas a falta de entrosamento entre eles era evidente... Perdiam-se um do outro.

Ou não?

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