Perigos e vilanias

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Mais de 50 anos? Lembra que quando éramos crianças nossos pais nos alertavam contra os ‘tarados’? Por tarado entendia-se o vilão que bolinava crianças e jovens no escurinho do cinema; oferecia carona e os levava para o mato para ‘fazer bobagem’. Recentemente o vilão ganhou nome: pedófilo, embora sua identidade - nome e sobrenome - possamos saber de longa data, sabe-se lá o motivo. Quantas vezes era o sujeito acima de qualquer suspeita, que frequentava a família - aquele que se a gente dedasse - ou contássemos o que tentavam fazer conosco - os pais se assustariam e não nos dariam crédito: quê que é isso, menina! O ‘bolinador do cinema’ era velho conhecido ou aquele a quem os pais davam guarida e respeitavam: geralmente bem mais velho, asqueroso, babento, olhos perscrutadores que nos despiam. Um demônio, credo! Dois mil e dez. Os tarados do escurinho do cinema diminuíram, mas apareceram os tarados da era cibernética. Os Tarados sem rosto, que mentem sua identidade, aparência, idade, que tramam na calada da noite e às escondidas. Pode ser seu vizinho, pode estar no apartamento ao lado. Ou muito distante. Seduzem, inventam e atacam. Recentemente entrou no circuito comercial filme com Clive Owen, Catherine Keener e Liana Liberato com título traduzido como Confiar - Trust no original. Acompanhei o enredo, como a um filme de terror, lembrando-me de quanto minha geração era vulnerável, apesar de alertada constantemente. Aconselhei-o para filhos e amigos. Não sei se viram: os filhos acham que somos muito exagerados em certos alertas. Hoje, passando em revista fotos de viagens, dei com esta tirada em Hong Kong, com texto que não sei ler no original, mas com ilustrações tão eloquentes que dispensam tradução. É. Parece que o perigo e a vilania estão por toda parte.

(Lúcia H. M. Brigagão)

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