Os verdureiros

Por: Chiachiri Filho

Primeiro os italianos e logo em seguida os espanhóis. E essas foram as duas grandes correntes migratórias que se dirigiram para Franca.

Os espanhóis dedicaram-se a várias atividades, dentre as quais a produção de horti-fruti-granjeiros. Daí, talvez, a pequena presença da imigração japonesa em nosso município, visto que os japoneses são especializados na produção de verduras, legumes, frutas e outros gêneros alimentícios de igual natureza.

Em 1898, José Luís Fontoura ( também conhecido como Luís da Banheira ) celebrava um contrato com Francisco Carreira Miguel através do qual eles se associavam para a produção e comercialização de hortaliças e frutas. Pelo contrato, José Luís cedia a Francisco Carreira um terreno anexo à sua Casa de Banhos ( situada entre as ruas Marechal Caxias e Evangelista de Lima) para a plantação de hortaliças e árvores frutíferas. Caberia a Francisco Carreira a plantação e a comercialização dos produtos, bem como a manutenção do jardim em frente à Casa de Banhos. Os lucros seriam repartidos igualmente entre os sócios contratantes.

Portanto, os espanhóis, desde o século XIX, cuidaram da produção horti-fruti-granjeira em nossa cidade. E assim continuaram até os nossos dias. Quem não se lembra dos Alonso, dos Garcia, dos Berdu, dos Sanches, dos Patrocínio, dos Cubeiro, dos Fernandes, dos Xiné, dos Granero, dos Patrício , dos Maldonado?

De todas essas famílias que se dedicaram à produção e comercialização de verduras, legumes e frutas. Eu me lembro muito bem do casal Alonso e Maria Ferracini, deles, dos seus filhos e do seu sobrinho Serafim ( filho de dona Rafaela ), figura inesquecível das feiras-livres, especialmente a da Avenida Major Nicácio. Alonso era baixinho, barrigudinho. Andava sempre com um terno azul-cinzento e trazia na cabeça um chapéu de cor semelhante. Dele não desgrudava a sua esposa, a dona Maria que era muito mais conhecida como dona Teresa. Em relação a João Alonso, dona Teresa era uma mulher alta, de sorriso amplo , óculos de lentes grossas e cabelos escorridos. Onde estava João, estava também dona Teresa para ler as faturas, as cartas e fazer as contas. João não sabia ler e a sua esposa foi o seu grande sustentáculo nos negócios.

E assim, prezado leitor, você ficou sabendo porque Franca recebeu tão poucos japoneses. Os espanhóis chegaram primeiro e logo foram tomando conta da horta.

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