Sinceridade

Por: Shirley Machado de Oliveira

Não são meus os meus órgãos
Meu figado se deturpa
E meu coração não me obedece

Eu corro sem querer
Derrubo o copo com água estando tão sedenta
Choro em casamentos

Dou gargalhada em velórios

Erro o saque e a cesta

Troco o til com acentos

Falo as palavras erradas na hora errada

Não quero enrugar a testa, mas não consigo

Não quero o sorriso amarelo, mas ele pinta

Não quero ficar vermelha, mas só de pensar já fico

Sou trans
Parente
Lúcida
Louca

Não tenho graça
Não tenho mistério

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